Maria Cristina de Lima Tavares Correia

Pernambucana, jornalista e professora, Cristina Tavares nasceu em 10 de junho de 1936 e morreu, após vários anos de luta contra um câncer, em 1992.

A vida política de Cristina Tavares começa com o jornalismo comprometido com as questões sociais, com a luta contra a ditadura e pela anistia. Completamente engajada com a revolução cultural dos anos 60, Cristina enriquece sua ação política debatendo as questões relacionadas à arte, tecnologia e aos esportes. Foi uma mulher e uma política moderna, por excelência.

Como militante de partido político, Cristina Tavares conquistou, em 1978, com 22.519 votos, o primeiro de três mandatos consecutivos com 22.519 votos. Nas eleições seguintes, em 1982, obteve 27.963 votos e em 1986, 40.613. Na posição de interlocutora dos movimentos sociais, consagrou-se como legítima representante dos interesses daqueles que a elegeram.

Na Câmara Federal, destacam-se suas atuações nos campos da legislação para promover a igualdade entre homens e mulheres, frear a ganância dos senhores de terras, criar espaço para uma tecnologia nacional e contra a violência: pelo direito à vida.

Contabilizando seus feitos, em 56 anos de vida, Cristina elaborou 139 projetos; proferiu 334 discursos; participou de 2 comissões parlamentares; foi relatora em 2 simpósios, na Câmara dos Deputados; presidiu duas comissões na Câmara dos Deputados; foi relatora, na Constituinte/86, da Subcomissão da Ciência e Tecnologia e da Comunicação e da Comissão de Sistematização; apresentou 227 emendas, das quais 95 foram aprovadas. Cristina Tavares deu, ainda, 60 conferências no Brasil e 12 no exterior, e publicou 8 livros.

DIRETAMENTE EM FAVOR DA EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES

Cristina nunca foi uma feminista declarada, porém, como ninguém, compreendeu o conteúdo desumano das desigualdades de gênero, e assumiu e cumpriu compromissos com o movimento de mulheres com a mesma seriedade de uma Bertha Lutz, legislando em defesa dos direitos civis, políticos e sociais.

Assim, a deputada federal trabalhou pelos direitos das empregadas domésticas; das trabalhadoras rurais, inclusive a favor da posse da terra; pela assistência integral à saúde da mulher e descriminalização do aborto.

É de sua autoria a emenda constitucional que reconhece e consagra o direito da mulher como cabeça do casal perante o imposto de renda, como também projetos para combater a discriminação das mulheres no mercado de trabalho e a violência física, moral, jurídica e institucional, por elas sofridas. Por fim, Cristina é a autora do capítulo da Família, no Código Civil.