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Júlia
Santiago da Conceição
Nasceu
em São Lourenço da Mata, em ano que ela própria
desconhecia. Era única entre sete filhos de uma
família
camponesa, bisneta de escravos. Abandonada pelo pai, ainda
muito pequena, Júlia foi criada pela mãe.
Aos 10 anos, veio para o Recife, onde começou
a trabalhar imsediatamente na indústria têxtil,
como tecelã.
Destacando-se por sua habilidade e agilidade em cumprir com
as tarefas, Júlia conquistou a simpatia dos patrões.
Não freqüentou a escola. Alfabetizou-se sozinha
e, talvez, tenha sido a falta de estudos sua grande frustração.
Reconhecida como militante do Partido Comunista Brasileiro,
Júlia nunca se filiou oficialmente, embora tenha chegado
a ser membro do Comitê Nacional. A serviço do
Partido, exerceu inúmeras atividades arriscadas e de
grande responsabilidade, trabalhando infiltrada junto à
direção do Cotonifício Othon Bezerra
de Melo, junto ao Círculo Operário, (que, de
acordo com suas palavras, foi fundado para liquidar os comunistas),
e ao Bloco de Carnaval Pavão Dourado, onde havia muitos
policiais. Foi ainda artista de rua, porém desempenhando
pequenos papéis pois, segundo ela, as partes importantes
ficavam com as pessoas que sabiam ler.
Sua grande paixão foi o movimento sindical, tendo fundado,
com Luiza de Santana, o Sindicato de Fiação
e Tecelagem de Pernambuco (SFTPE), além de ter liderado
várias mobilizações envolvendo outros
sindicatos. Segundo suas próprias palavras, ela não
fez parte da direção do SFTPE, na hora da fundação,
porque “não tinha leitura”. Isso, porém,
não lhe impediu de ser responsável pelo funcionamento
dos meios de comunicação de sua classe: Gazeta
Sindical, Novos Rumos e Terra Livre, e de coordenar o
alistamento eleitoral durante a campanha de Cid Sampaio.
Foi eleita primeira vereadora do Recife, também, com
o voto da classe operária, no ano de 1947, sagrando-se
a maior líder sindical de todos os tempos.
Júlia fez críticas ao comportamento machista
dos companheiros de partido e falou, todo o tempo, sobre muitas
mulheres e nos trabalhos que elas organizavam juntas, seja
para soltar presos políticos, seja para desencadear
greves, passeatas e distribuir materiais.
No parlamento, não chegou a legislar em favor das mulheres,
porém, na década de 60, Júlia defendeu,
num grande congresso de mulheres, em São Paulo, a reivindicação
de diferenciar os tempos de serviço para homens e mulheres:
30 e 20 anos, respectivamente. Questionada sobre a justiça
de sua proposta, contra-argumentou: “a mulher, quando
sai do trabalho, ainda vai para casa cuidar do marido e dos
filhos, e os homens não. É difícil um
homem ajudar a mulher”.
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